segunda-feira, 15 de novembro de 2010

vou morrendo
com o universo
fermentando o espaço
dentro do infinito vivo

abro alas
com os versos
remodelando possibilidades

ecdises do eu

metamoforse de signos
provocando o intangível
a outra parte oculta
de reinventar o inacabado

terça-feira, 12 de outubro de 2010

na mira do agora
escrevo nuclear mente
a bomba de mim

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

fome

meus pensamentos
são urubus
carentes
 com
      descen
                dentes
devoradores
de luxações dos olhos

terça-feira, 7 de setembro de 2010

o poema
desrespeita
as malcriações
do cotidiano

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

o pingo azul
inundou
o céu de escuridão

domingo, 29 de agosto de 2010

descascando o dia
ácido
chupo
sumo
da laranja
mecânica casca do cotidiano
a realidade
na minha
real idade
todo dia
bate os ponteiros
na minha cara
e aponta a ponte
que me leva
ao ponto final
sem beira
c
a
í da ponte
sem nada r
nada
acordei enterrado
na horta veia do horizonte
de versos
Desenho o presente
com o atalho do respiro

o instante decorado
com a mobília do acaso

desenho do espelho
uma gaiola inoxidável
cujo brilho reflete
os pássaros da minha mente.

segunda-feira, 19 de abril de 2010

poetango

                        latino grosso
rasgo o papel do cotidiano
        e escrevo
                      onde a cada
          mordida
adestro o osso duro da realidade
cuja ira
arrebata a minha condição
(arranco piazólico dos meus dias)

domingo, 28 de março de 2010

reengenharia


encenar a peça

é fazer a engrenagem

da vida rodar

uma mecânica

cuja platéia são máquinas

que movimentam os dias

no palco do cotidiano

domingo, 21 de março de 2010

poeta

enterrado nessa tarde

sigo pulverizando-me de um pó ético

antes que nunca

de cinzas

espalhem-me pela fuligem da minha história


escrevo a moda antiga

exumando eus do buraco cotidiano

fósseis do ofício

na cova viva dos versos


um agora pró

épico

autópsia autobiográfica de uma pré

época

escrita no cortejo dessa tarde

poética

domingo, 14 de março de 2010

Intangível 2

a vida é um mar de náufragos
fardos fa-dados de incertezas
ancoradas no porto do pensamento

Intangível 1

o dia é um passo que passa
passará vago
na          vaga do absurdo

poema

pulo a cerca
dos sentidos
      escrevo  a trepado
feito abelhas em flor


ao a verso
minhas tripas 
redobram me em sígnos        


extravio
o néctar travestido 
de sentido


e falo a glande vagina
concepção
de parir versos
e
ja
cu
lados
no útero da grande colméia
semântica

sexta-feira, 12 de março de 2010

cotidiano

saio da cama
caio no mundo
pela porta do fundo
não há horizonte
só improvisos aos montes


sigo no muro em cima
do jogo de cartas na cara


ando sob uma estrada
feita à mão
onde meus passos
são mapas
cujas pegadas a história me pisa

Livro: Nervura dos signos

(condenado a existir)
é a minha única certeza


pleiteio palavras
incubando versos
sobre o DNA da existência


vivo
entre cada agora
conjugado no litígio da minha presença

ser aqui
um mundo pendurado na parede das horas
decorando a sala de estar
num quarto de mim

Livro: Nervura dos signos

sou assim métrico
                          baião de dois 
                          em dois igual a 
condição de endógeno
escrivão das ocorrências recorridas 


um cartório anônimo
onde registro os meus dias
no solo dessa escritura


e o universo penhorado a um só lance de palavras