domingo, 28 de março de 2010

reengenharia


encenar a peça

é fazer a engrenagem

da vida rodar

uma mecânica

cuja platéia são máquinas

que movimentam os dias

no palco do cotidiano

domingo, 21 de março de 2010

poeta

enterrado nessa tarde

sigo pulverizando-me de um pó ético

antes que nunca

de cinzas

espalhem-me pela fuligem da minha história


escrevo a moda antiga

exumando eus do buraco cotidiano

fósseis do ofício

na cova viva dos versos


um agora pró

épico

autópsia autobiográfica de uma pré

época

escrita no cortejo dessa tarde

poética

domingo, 14 de março de 2010

Intangível 2

a vida é um mar de náufragos
fardos fa-dados de incertezas
ancoradas no porto do pensamento

Intangível 1

o dia é um passo que passa
passará vago
na          vaga do absurdo

poema

pulo a cerca
dos sentidos
      escrevo  a trepado
feito abelhas em flor


ao a verso
minhas tripas 
redobram me em sígnos        


extravio
o néctar travestido 
de sentido


e falo a glande vagina
concepção
de parir versos
e
ja
cu
lados
no útero da grande colméia
semântica

sexta-feira, 12 de março de 2010

cotidiano

saio da cama
caio no mundo
pela porta do fundo
não há horizonte
só improvisos aos montes


sigo no muro em cima
do jogo de cartas na cara


ando sob uma estrada
feita à mão
onde meus passos
são mapas
cujas pegadas a história me pisa

Livro: Nervura dos signos

(condenado a existir)
é a minha única certeza


pleiteio palavras
incubando versos
sobre o DNA da existência


vivo
entre cada agora
conjugado no litígio da minha presença

ser aqui
um mundo pendurado na parede das horas
decorando a sala de estar
num quarto de mim

Livro: Nervura dos signos

sou assim métrico
                          baião de dois 
                          em dois igual a 
condição de endógeno
escrivão das ocorrências recorridas 


um cartório anônimo
onde registro os meus dias
no solo dessa escritura


e o universo penhorado a um só lance de palavras